Um raro momento de lucidez nos últimos anos da vida de Michael Jackson aparentemente resultou no artigo “My Childhood, My Sabbath, My Freedom”, publicado no site Beliefnet.com em dezembro de 2000 (http://www.beliefnet.com/Faiths/2000/12/My-Childhood-My-Sabbath-My-Freedom.aspx).
A religião de Michael Jackson raramente foi alvo dos holofotes que o cercaram, mas certamente esteve presente em sua trajetória. Ele cresceu em contato com as Testemunhas de Jeová, religião da sua mãe, teve uma babá judia chamada Rose Fine, e boatos não comprovados anunciaram a sua conversão para o Islamismo mais recentemente. Exatamente por isso, talvez o artigo escrito por incentivo do rabino amigo Shmuley é ainda mais curioso.
A partir da experiência de um sábado na casa do rabino, recordações da infância traumática e insights sobre a alegria decorrente da observância da ordenança bíblica são registrados e questionados. Já que a sua influência apontava para o sábado como sendo o domingo (para as Testemunhas de Jeová), o sábado (para os Judeus) ou a sexta-feira (para os Muçulmanos), note apenas o conceito geral sobre o sábado nos trechos extraídos do artigo:
“Mais do que qualquer outra coisa, eu queria ser um menino normal. Queria construir casas na árvore e participar de festas de patins. Mas muito cedo, isso tornou-se impossível. Tive que aceitar que a minha infância seria diferente da dos outros. Mas isso sempre me fez imaginar como seria uma infância comum. Havia um dia da semana, no entanto, no qual eu podia fugir dos palcos de Hollywood e das multidões dos teatros. Era o sábado.”
“Os domingos eram dias para “evangelização”, termo usado para o trabalho missionário que as Testemunhas de Jeová fazem. Eu passava o dia nos subúrbios do Sul da Califórnia, indo de porta em porta ou rodando pelos shoppings, distribuindo a nossa revista da Torre de Vigia. ... Os domingos também eram sagrados por duas outras razões na infância. Eram o dia que eu ia à igreja e o dia que mais eu ensaiava. Isso pode parecer contra a ideia de “descanso no Sábado”, mas era a maneira mais sagrada que podia passar o tempo: desenvolvendo os talentos que Deus havia me dado.”
“A igreja era um presente. Era novamente a chance para mim de ser ‘normal’. ... Eu sinto falta da noção de comunidade que eu sentia lá—tenho saudade de amigos e pessoas que me tratavam como um deles. Simplesmente humano. Passando um dia com Deus. ... Os meus dias mais preciosos como criança eram aqueles domingos que eu podia ser livre. Isso é o que o Sábado sempre foi para mim.”
“Em todas as religiões, o Sábado é um dia que permite e requer que os fiéis deixem as coisas do dia-a-dia e focalizem no excepcional. Aprendi algo sobre o Sábado judaico particularmente através de Rose, e posteriormente o meu amigo Shmuley explicou como, no Sábado judaico, as tarefas do dia-a-dia como cozinhar, fazer compras e cortar a grama são proibidas para que a humanidade possa tornar o comum em extraordinário e o natural em miraculoso. Nesse dia, o Sábado, todos no mundo podem parar de ser comum.”
A Bíblia também fala sobre Michael (ou Miguel, em português). Ele é um dos primeiros príncipes (Dn 10:13), o Arcanjo (Judas 1:9), Aquele cuja voz há de ressuscitar os mortos em Cristo (1 Ts 4:16) e, portanto, o próprio Cristo.
É impossível saber todos os detalhes da vida de Michael, o Jackson, mas em meio a tantas excentricidades, parece real que em alguns momentos ele se deparou com verdades sobre Michael, o Arcanjo. Mas também parece claro que a sua opção diante dessa revelação foi negar a oportunidade de reviver a verdadeira liberdade da sua infância nos sábados da Nova Terra, ou Foreverland (A Terra do Sempre), ou a sua vida não seria marcada por tantas insatisfações, escândalos, aberrações e o final trágico que teve.
Apesar de idolatrado, deificado e reverenciado por tantos, o próprio significado do nome Miguel, “Quem é como Deus?”, deveria colocar os fatos na verdadeira perspectiva.
Aproxima-se o tempo em que Miguel, o Arcanjo, trará salvação a todos que resolveram segui-lO, imitá-lO e anunciá-lO. “Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro” (Dn 12:1).
Marcelo E. C. Dias -- Revista Adventista (Ago/09)
A Liberdade de Foreverland (Ago/09)
Sábado, Agosto 08, 2009
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Extressado! (Ago/09)
Ao quase completar um ano de crise econômica mundial, tenho a impressão que não erraria se eu arriscasse dizer que esse foi um período (ou ainda está sendo) de estresse. Um período de mudanças rápidas afetando a todos e configurando incertezas sobre o futuro só poderia gerar esse resultado.
Muitos empreendedores afirmam ser movidos pelo estresse, mas existe uma diferença importante entre a pressão saudável e o estresse tóxico. Alguns podem gostar do desafio de fechar um negócio, encontrar um problema ou resolver um conflito entre empregados, mas quando essa pressão produz a perda da paciência, erros e alienação, certamente não é positiva.
Postado por Pr. Marcelo Dias às 3:29 PM 0 comentários
Menos Tempo Para Você (Jun/2009)
Sexta-feira, Junho 12, 2009
Cuidado! Não julgue o título tão rapidamente. Eu sei o que você está pensando. Menos tempo para mim? A maioria de nós já não tem tempo suficiente para tudo o que deseja realizar.
Li recentemente que, devido ao avanço tecnológico e a otimização do uso do tempo, a maioria das pessoas, hoje, faz durante o dia de 24 horas, o equivalente ao que se fazia em 35 horas, há alguns anos. À medida que o tempo passa, as pessoas sentem-se obrigadas a realizar mais em menos tempo. E sabe da maior? A sensação continua a mesma: “Eu não tenho tempo!”
O desafio da administração do tempo é tão real, que esse é um dos assuntos mais apresentados em seminários para executivos, nas mais diversas propostas: Planejamento Pessoal, Técnicas de Administração do Tempo, Gestão do Tempo, Administrando o Seu Tempo com um Palm, etc.
Mesmo que os especialistas falem muito sobre a autodisciplina, a procrastinação, as desculpas, as pressões, as responsabilidades, os sonhos e as metas, como causas principais de caos na vida das pessoas, independentemente, eu tenho certeza que você gostaria de ter mais tempo--para a família, para os amigos, para a recreação, para a educação e para o seu crescimento espiritual.
Eu vi alguém sugerir que Deus poderia ter feito o dia com umas 10 horas a mais e, talvez, a semana com uns 2 dias extras. Certamente Ele poderia, mas isso resolveria a nossa vida? Claro que não.
Apesar de reconhecer que em muitos casos de má administração do tempo, as causas são internas, e nesse caso só posso sugerir que você faça um auto-exame, quero pensar nas causas externas -- numa sociedade que, pelas suas filosofias, simplesmente não colabora nesse sentido, e uma prova disso é um dos dizeres mais conhecidos: Tempo é dinheiro.
Não adianta muito falar sobre os benefícios da espiritualidade no mundo corporativo, como é a proposta desta coluna, se as pessoas não a experimentarem na prática, e isso significa dedicar tempo para o seu relacionamento com Deus. Um estudo publicado recentemente, The Obstacles to Growth, com 20 mil entrevistados, demonstrou que mais de 60% considera que a vida agitada atrapalha o relacionamento com Deus.
Chegamos ao seguinte impasse: Quero incluir Deus na minha vida para obter os benefícios de ter uma vida com propósitos. Uma vida com propósitos me diz que as pessoas são mais importantes do que as coisas. Se a preocupação não me traz nenhum benefício, é hora de priorizar e alocar tempo na minha agenda para Deus, para a minha família e para os meus amigos.
A administração do tempo sempre contou, entre vários princípios, com um segredo: priorizar. Já que todos possuem exatamente a mesma quantidade de 168 horas por semana, o que é uma importante lição sobre igualdade, o detalhe reside no que fazer com esse tempo. Jesus mesmo disse: “Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?” (Mateus 6:27).
Como disse Salomão, o maior de todos os sábios: “há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz” (Eclesiastes 3:2-8).
O segredo da priorização também vem da Bíblia e diz assim: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33).
Aqui vão sugestões de como dedicar mais tempo à sua vida espiritual em meio a uma agenda tão cheia:
1. Ouça a Bíblia enquanto faz outras atividades rotineiras, como dirigir, exercitar, cozinhar, etc. Existem bons materiais em CD e MP3, sem contar os bons programas de rádio.
2. Separe momentos para a meditação antes de dormir. Ler ou recitar um verso bíblico e uma oração agradecendo pelas bênçãos do dia e pedindo sabedoria para o próximo é um bom ritual para os últimos minutos, enquanto acordado.
3. Aproveite os recursos eletrônicos de agendamento. Seja no computador, no relógio ou em outro equipamento, ajuste o alarme para lembrá-lo das coisas de Deus no meio do dia também.
4. Não despreze o valor da música no crescimento espiritual. No carro, no trabalho, na academia e em casa, sempre há a possibilidade de contar com a influência de uma boa música cristã.
5. Frequente à igreja regularmente. Esses momentos serão importantes para a sua espiritualidade, seu relacionamento com a família e sua saúde mental.
Bem, o meu tempo acabou. Obrigado pelo seu tempo. Este artigo não deveria tomar mais do que 3 minutos do seu tempo agora, mas deve ajudá-lo a ganhar tempo de agora em diante, considerando as prioridades da sua agenda. Leia o título novamente, pois eu acho que você não o entendeu na primeira vez. A ênfase é na palavra “você”: Menos Tempo Para Você em 2009! As suas 168 horas semanais estão garantidas neste ano, mas você precisa dedicar mais tempo para os relacionamentos, especialmente para Deus.



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Fugindo Para a Liberdade
Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009
Tradutor: Marcelo Dias
Lançamento em Português: 2009
Categoria: Histórias
Formato: 14,0x21,0
Número de páginas: 144
ISBN: 9788534512039
Acabamento: Brochura
Traduzi esta obra em 2008 completando um quarteto de livros de histórias inspiradoras (Por Trás do Véu, Mil Cairão ao Teu Lado, O Último Trem e Fugindo Para a Liberdade). Esta é mais uma história de um jovem cristão destemido que passou por uma grande prova de fé no final do século passado. Não há como se colocar no lugar de Doru e não se emocionar.
Postado por Pr. Marcelo Dias às 10:41 PM 0 comentários
O Movimento do Deus-Ajuda ou Auto-Ajuda do Alto (Nov/08)
Sexta-feira, Novembro 21, 2008
Confesso que me incomodo com a quantidade de volumes e o espaço dedicado à seção sobre auto-ajuda nas livrarias. No entanto, como nunca me interessei por esse gênero, imaginava que a moda já tinha passado, até me deparar com uma notícia recente.
Um dos jornais mais importantes dos Estados Unidos, o Los Angeles Times (26/7/08), publicou uma reportagem sob o título: “Autores Americanos Vêem Seus Livros Sobre Auto-ajuda Desaparecer das Livrarias – no Brasil”.
O mercado espiritualista e de auto-ajuda continua crescendo nos Estados Unidos, segundo o jornal, sendo que em 2007, passou de 600 milhões de dólares. Mas aparentemente o fenômeno continua ainda mais forte em terras tupiniquins, onde alguns títulos que nunca entraram para a lista dos best-sellers na terra do tio Sam, têm se tornado um sucesso.
Como definiu Ed René Kivitz, “o movimento da auto-ajuda proclama que você tem em seu interior todos os recursos de que precisa para obter sucesso, a concretização de seus objetivos, felicidade e qualquer outra coisa necessária para desfrutar uma vida completa”.
Mas nem todo mundo acha que as respostas para os problemas existenciais são encontradas em livros de auto-ajuda. Muitos críticos têm apontado razões para sermos cuidadosos e criteriosos quanto a essa literatura:
- Esses livros iludem oferecendo respostas fáceis para problemas humanos difíceis.
- O leitor acha que pode resolver sozinho todos os problemas. Esse é um pensamento egocêntrico infundado, já que mais cedo ou mais tarde todas as pessoas precisam buscar nos grupos as respostas para os problemas sociais.
- Os livros reforçam uma cultura individualista, criando um ciclo vicioso e mantendo as boas vendas dessas obras.
- Existe ainda um problema filosófico: se a pessoa teve que buscar ajuda em um livro escrito por outra pessoa, não é auto-ajuda.
- O movimento de auto-ajuda tornou-se um negócio de 8,5 bilhões de dólares, só nos Estados Unidos.
- O maior problema, no entanto, é que existe uma sugestão viciante no movimento de auto-ajuda. Se você não superar o problema, a culpa é sua. Os seus pensamentos não foram positivos o suficiente. A solução? Mais livros, CDs, seminários, etc.
Curiosamente, o primeiro livro considerado do gênero de auto-ajuda, escrito por Samuel Smiles, em 1959, que tem como título “Self-Help” [Auto-Ajuda], começa o primeiro capítulo dizendo que “o Céu ajuda aqueles que se ajudam”.
A preocupação desde o princípio em saber como se tornar uma pessoa melhor e ter uma vida melhor parece reconhecer que existe uma interação com o sobrenatural, com Deus, nesse processo, mesmo que essa idéia seja colocada de lado no desenvolvimento dos conceitos pela maioria dos autores. Então o foco torna-se o próprio ser humano e o seu interior.
A Bíblia, no entanto, pode nos oferecer um caminho mais lógico e mais coerente nesse sentido. Ela diz que o sucesso do ser humano não está no seu próprio esforço mas no reconhecimento da dependência do poder de Deus.
O Salmo 59:16 e 17 diz: “Eu, porém, cantarei a Tua força; pela manhã louvarei com alegria a Tua misericórdia; pois Tu me tens sido alto refúgio e proteção no dia da minha angústia. A Ti, força minha, cantarei louvores, porque Deus é meu alto refúgio, é o Deus da minha misericórdia.”
A Bíblia mostra que a origem da ajuda, do refúgio é Deus. Mas vai além ao afirmar que neste sentido essa fonte é exclusiva. “Não há outro, ó amado, semelhante a Deus, que cavalga sobre os céus para a tua ajuda e com a sua alteza sobre as nuvens” (Deuteronômio. 33:26).
Curiosamente a Bíblia já previa essa tendência, que não é moderna e nem pós-moderna, de buscar a valorização do ser humano e de pensar que nele encontram-se todas as respostas. “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.
Diante de uma situação mundial tão instável e uma busca sedenta por respostas para os problemas existenciais, está na hora de criar o Movimento Eliezer (que significa, em hebraico, “Deus ajuda”) para mostrar para as pessoas a Fonte de Sabedoria, gratuita, individual e eficaz: Deus.
Entre as muitas frases de Deus-ajuda, esta me traz muito conforto: “Não temas, porque Eu sou contigo; não te assombres, porque Eu sou o teu Deus; Eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel” (Isaías 41:10).
Por: Marcelo E. C. Dias, pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em Artur Nogueira. Formado em teologia e administração de empresas. Concluiu o seu MBA na Califórnia, Estados Unidos, em 2003.
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A Síndrome do Jumentinho - Revista Adventista (Set/08)
Sexta-feira, Setembro 26, 2008
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Faça o Que Eu Faço
Domingo, Agosto 17, 2008
“Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova” – Romanos 14:22
Recentemente o mundo ficou chocado com a história do austríaco Josef Fritzl, que aprisionou sua filha por 24 anos no porão da sua casa e teve sete filhos com ela. Em meio às reportagens sobre a descoberta, no entanto, uma das suas declarações me chamou a atenção: “Eu constantemente sabia, durante os 24 anos, que o que estava fazendo não era certo.”
Essa declaração me fez lembrar de um momento marcante durante as aulas de psicologia na faculdade. Falando sobre a natureza humana, certo dia, o professor resolveu fazer a pesquisa: “Quantos estão cientes de que fumar é prejudicial à saúde?” E praticamente todos levantaram a mão. Em seguida ele fez uma segunda pergunta: “E quantos de vocês fumam?” Talvez 60 a 70% dos que haviam respondido afirmativamente à primeira pergunta, levantaram a mão novamente.
A pergunta que fica é: se sabemos o que é o certo, por que não fazemos assim?
Essa característica do ser humano é tão reconhecida que gerou ditos populares como: “Faça o que falo, mas não faça o que eu faço” (em inglês, existe o dito “Talk the talk and walk the walk”).
Todas as pessoas desenvolvem uma escala de valores morais pelas quais pautam a sua opinião sobre o que é certo e o que é errado. Muito poderia se discutir sobre o que influencia esse processo, mas o nosso foco está sobre a observação de que mesmo tendo essas definições ainda não somos coerentes conosco.
Esses valores formam o nosso caráter e a nossa coerência diz respeito à nossa integridade como seres humanos. No entanto, quando não agimos de acordo com nossas crenças criamos um conflito interior, em primeiro lugar. E também criamos um conflito exterior através da comparação feita por outros entre o que “pregamos” e como agimos.
Portanto, a incoerência moral e ética entre as idéias defendidas, ensinadas e cobradas e o que é praticado pode ter um efeito corrosivo na sociedade, pois querendo ou não, são modelos sociais com um impacto significativo na população, seja no contexto familiar, profissional, religioso ou comunitário — a pedagogia do exemplo.
A Bíblia também fala sobre a incoerência humana. Na verdade todo o ministério de Jesus foi marcado pela observação crítica dos líderes religiosos, em busca de incoerências entre a pregação e a prática de Jesus, e o combate à hipocrisia dessas pessoas. Jesus chega a classificar os fariseus e os mestres da lei como sepulcros caiados, serpentes e raça de víboras. E orienta: “Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam” (Mateus 23:3).
Já no final da Sua missão, reforçando a preocupação em serem coerentes, Jesus, após uma aula prática sobre humildade e liderança servidora para os seus discípulos, enfatiza: “Agora que vocês sabem estas coisas, felizes serão se as praticarem” (João 13:17).
Posteriormente, o apóstolo Paulo ao lidar com essa questão nos apresenta uma tendência natural do ser humano de ser incoerente e fazer coisas erradas. E ele mesmo confessa: “Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo” (Romanos 7:15).
No desenvolvimento da compreensão sobre a natureza humana Paulo volta a falar sobre essa incoerência mais tarde, sugerindo que há necessidade de uma clara definição e um forte desenvolvimento moral em cada pessoa, o qual se dá através da espiritualidade. Para Paulo, a vantagem é ser coerente porque: “Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova” (Romanos 14:22). Um dos meus versos bíblicos preferidos.
Um outro Paulo, o educador Paulo Freire, no nosso tempo reafirma a verdade bíblica dizendo: “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal maneira que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática."
Hoje, valorizamos a honestidade ao ponto dela se tornar notícia amplamente divulgada, mas quando sabemos que alguém achou um pacote de dinheiro e entregou às autoridades, não acreditamos e até alguns reprovam a atitude.
Num momento em que o ser humano tem se apresentado incoerente, é hora de todos na sociedade atentarem para essa realidade, mas de forma especial aqueles que exercem autoridade política, social, religiosa, cultural e educacional. Não basta o alarme com os comportamentos irracionais e imorais, é necessário que mudemos de postura e apresentemos à sociedade a marca que deveria ser pertinente àqueles que desfrutam da racionalidade e da espiritualidade: a coerência.
Por: Marcelo E. C. Dias, pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em Artur Nogueira. Formado em teologia e administração de empresas. Concluiu o seu MBA na Califórnia, Estados Unidos, em 2003.
Postado por Pr. Marcelo Dias às 3:31 PM 0 comentários
Deus na Fábrica – a nova tendência empresarial
“Nada há melhor para o homem do que comer, beber e fazer que a sua alma goze o bem do seu trabalho. No entanto, vi também que isto vem da mão de Deus.”
Eclesiastes 2:24
Em 1999, a revista americana Business Week apontou a presença crescente da espiritualidade no ambiente de trabalho. Segundo a revista, centenas de conferências sobre o assunto estavam sendo apresentadas e mais de dez mil estudos bíblicos e grupos de oração se reuniam nas empresas. Pouco tempo depois foi a vez das revistas Fortune e New York Times Magazine também atestarem da nova realidade.
Carolyn Corbin, presidente do Center for the 21st Century, prevê que essa tendência no mundo empresarial se acentuará. Segunda a economista, será cada vez mais importante que as companhias sejam faith-friendly ou promotoras da fé. Não só as empresas passarão a aceitar a fé das pessoas, mas encorajarão a espiritualidade no mundo dos negócios porque percebem várias vantagens nesse cenário.
Muitos dos desafios do ambiente de trabalho podem ser influenciados positivamente pela religião, como por exemplo:
1. Formação de líderes
2. Trabalho em equipe
3. Motivação para buscar a excelência
4. Problemas de relacionamento e reconciliação com os superiores e com os colegas
5. Não envolvimento em atividades ilegais
6. Furto de pertences da empresa
7. Ética no serviço ao consumidor
8. Justiça no trato com os empregados
9. Fofoca no ambiente de trabalho
10. Trato para com os inimigos
11. Atração extramarital no ambiente de trabalho
12. Atmosfera de trabalho que valorize o respeito e integridade
Trabalho e espiritualidade são palavras que, a princípio, definem realidades muito desconexas.
A maioria das pessoas divide a sua rotina em duas partes. De segunda a sexta para o trabalho, e então, o final de semana que inclui a religião. Apesar de o brasileiro considerar a fé muito importante (86% tem essa opinião segundo a revista Época) ir à igreja semanalmente é habito de somente 30% da população -- um programa para o fim de semana.
Mais recentemente, no entanto, tem-se descoberto que as duas realidades podem estar mais próximas do que se pensava. Melhor do que isso: elas podem coexistir e se complementar.
Nada disso deveria ser novidade. A Bíblia fala sobre o trabalho como uma realidade da vida. Logo nas primeiras páginas, no relato da Criação, a Bíblia fala sobre a atividade de Deus e o seu descanso no sétimo dia. Também encontra-se ali a ordem de Deus para que Adão trabalhasse. E a constatação de que após o pecado o trabalho se tornaria uma maldição aos seres humanos. Jesus mesmo trabalhou com o seu pai na carpintaria até os 30 anos, chamou doze trabalhadores para serem os seus discípulos e deixou uma missão que envolve bastante atividade para os seres humanos.
Das 132 aparições públicas de Jesus registradas no Novo Testamento, 122 delas foram em ambiente de trabalho. Das 52 parábolas que Jesus contou, 45 têm o contexto do ambiente de trabalho.
A Bíblia ainda fala que no Paraíso haverá algum tipo de trabalho.
O trabalho é mencionado na Bíblia mais de 800 vezes. Isso é mais do que todas as menções a adoração, louvor, música e canto. Na verdade as palavras trabalho e adoração, em hebraico, na Bíblia, têm a sua origem na mesma raiz, avodah, sugerindo que trabalhar é adorar.
Enquanto algumas empresas têm se tornado cada vez mais intolerantes à fé no ambiente de trabalho, a realidade do século 21 demonstra que a tendência é bem diferente. As pessoas não estão satisfeitas com o seu emprego e buscam um propósito para a vida. Já que 60% a 70% da vida é passada no trabalho, os empregadores que atentarem para essa necessidade certamente colherão as conseqüências positivas de trabalhadores mais satisfeitos.
Por outro lado, os trabalhadores deveriam ter sempre em mente o que um pregador certa vez disse: “Uma religião que não é boa na segunda, não é boa no sábado ou no domingo.”
Por: Marcelo E. C. Dias, pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em Artur Nogueira. Formado em teologia e administração de empresas. Concluiu o seu MBA na Califórnia, EUA, em 2003.
Postado por Pr. Marcelo Dias às 3:28 PM 0 comentários
“Escolas de Voluntários” – Maximizando uma Grande Oportunidade
“Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário”
– Salmo 51:12
No mundo capitalista brasileiro da busca desenfreada pela vantagem, após décadas de desaparecimento, ressurge neste começo de século a importante figura do voluntário.
A melhor definição que eu encontrei sobre o voluntariado foi esta apresentada em estudo realizado na Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, que coloca o voluntário como ator social e agente de transformação, que presta serviços não remunerados em benefício da comunidade; doando seu tempo e conhecimentos, realiza um trabalho gerado pela energia de seu impulso solidário, atendendo tanto às necessidades do próximo ou aos imperativos de uma causa, como às suas próprias motivações pessoais, sejam estas de caráter religioso, cultural, filosófico, político, emocional.
Como foi apresentado pela edição especial da revista Veja, de julho de 2003, “os jovens do século XXI continuam tão idealistas e dispostos a mudar o mundo quanto os dos anos 60. A diferença é que descobriram um caminho que não passa pela militância política: o do trabalho voluntário. Nos últimos cinco anos, a participação dos jovens em filantropia pulou de 7% para 34% em 400 entidades brasileiras. Mais de 8 milhões de jovens, com idade entre 15 e 24 anos, realizam alguma atividade voluntária. Estima-se que outros 14 milhões estejam interessados em fazer esse tipo de trabalho, mas não sabem como começar”.
Recentemente um outro estudo, o Índice de Participação Cidadã 2005, divulgado pela Rede Interamericana para a Democracia, afirmou que o Brasil é o líder em atuação da sociedade civil em questões coletivas na América Latina. No entanto, a explicação para o índice são os valores altos em indicadores como compromisso, militância, voluntariado, solidariedade e responsabilidade social, mas não quanto à legislação do país e a iniciativa política nesse sentido.
O pesquisador das Nações Unidas, Taryn Nelson, ainda aponta que “o voluntariado é uma grande oportunidade para a América Latina em termos econômicos, sociais e até políticos”. E conclui que “cada país latino-americano precisa urgentemente de uma política nacional de voluntariado”.
Portanto, a necessidade mais urgente é de que os governos participem formulando políticas em diferentes áreas apoiando as iniciativas cidadãs, tanto individuais como coletivas, e regulem a atuação social dessas pessoas, definindo direitos e deveres dos voluntários. Isso certamente aumentará os efeitos das ações voluntárias e motivará ainda mais a atuação da comunidade.
Por outro lado, não deveríamos nos esquecer que, antes de qualquer outra iniciativa, o voluntariado está intimamente ligado à religião. Na igreja cristã, isso tem sido sempre uma marca, um sinal de caridade e amor ao próximo, mandamento fundamental do cristianismo.
Jesus afirma o grande mandamento e confirma o caminho para a salvação, na Bíblia, em Marcos 12:30 e 31: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes”. (Outras referências a esse ensinamento, na Bíblia, são encontradas em Mateus 22:39, Marcos 12:31, Lucas 10:27, Romanos 13:8 e 9, Gálatas 5:14 e Tiago 2:8).
Nos últimos anos, também houve na igreja uma mudança na maneira de praticar o voluntariado, levando-a a abrir-se cada vez mais à universalidade das emergências da sociedade moderna, tanto que os voluntários a ela ligados estão, geralmente, nas primeiras fileiras desse trabalho.
Nas ações de voluntariado estão implícitos valores humanos despertados, ensinados e motivados pela Bíblia, como o altruísmo, a abnegação, a solidariedade, a bondade e o amor.
Estudos têm comprovado que o envolvimento religioso influencia grandemente a participação voluntária das pessoas na comunidade. Segundo uma dessas pesquisas, o convívio da igreja treina as pessoas para a participação na comunidade. Elas aprendem a interagir e negociar, a conduzir reuniões, a lidar com finanças e a falar em público, e tudo isso com ética e respeito. A freqüência à igreja faz com que as pessoas percebam que elas têm muito a oferecer à comunidade.
Um outro estudo em igrejas no Canadá demonstrou que as igrejas formam uma das mais importantes redes de recrutamento de voluntários na sociedade. Para muitas pessoas, a religião provê a motivação necessária para esse engajamento.
O altruísmo, reforçado pelo ideal, as crenças, os sistemas de valores, e o compromisso com determinadas causas são componentes vitais do voluntariado. Curiosamente o voluntário cresce emocional e espiritualmente porque, enquanto ajuda a melhorar a vida dos outros, realiza-se como ser humano e cumpre a vontade de Deus.
Portanto, poderíamos considerar as igrejas como verdadeiras “escolas de voluntários” na sociedade. E se assim não o são, deveriam ser.
Nestes dias (final de ano e início de um novo ano) em que a maioria das pessoas passa algum tempo refletindo, se deveria chegar a pelo menos uma conclusão: todos temos algo a contribuir com o próximo. O governo deveria atentar para a grande oportunidade que existe no pacífico exército voluntário do Brasil. As igrejas deveriam permanecer focadas na missão orientada pela Bíblia, enxergar o semelhante e se tornarem verdadeiras “escolas de voluntários”.
Nesta virada de ano, por que não fazer um propósito de seguir o exemplo daquele que fez o maior ato de voluntariado da história do Universo, Deus, ao entregar espontaneamente o Seu Filho, Jesus Cristo, para nascer neste mundo e Se entregar como o Salvador da humanidade (João 3:16).
Por: Marcelo E. C. Dias, pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em Artur Nogueira. Formado em teologia e administração de empresas. Concluiu o seu MBA na Califórnia, EUA, em 2003.
Postado por Pr. Marcelo Dias às 3:25 PM 0 comentários
O Último Trem
Sábado, Dezembro 22, 2007
Tradutor: Marcelo Dias
Lançamento em Português: 2007
Categoria: Histórias
Formato: 14,0x21,0
Número de páginas: 176
ISBN: 9788534510844
Acabamento: Brochura
Esse foi o último livro que tive o privilégio de traduzir. É um lançamento de Natal e parte do clube de leitura para o ano de 2008. Uma ótima recomendação para quem gosta de histórias de fé e ação.
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Postado por Pr. Marcelo Dias às 12:24 AM 4 comentários




